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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O novo comandante da FIA

Todt 

Depois de longos anos como presidente da FIA, Max Mosley finalmente abriu espaço para outro assumir o cargo. A mudança era de extrema importância, pois a relação de Mosley com a Fórmula 1 já estava desgastada. O ápice do desgaste foi a orgia sadomasoquista nazista, realizada com prostitutas, no ano passado. Isso denegriu a imagem do esporte, que tinha como representante este senhor.

Com a desistência do inglês a reeleição, surgiram os cadidados Vatanen e Todt, sendo o último apoiado pelo até então presidente. Muitos diziam que no caso do francês se eleger, nada mudaria. O ex-chefe da Ferrari acabou vencendo as eleições, para a alegria de uns e tristeza de outros.

Dois pontos merecem ser discutidos acerca do madato de Jean Todt. O primeiro é positivo, pois estamos falando de alguém de dentro da Fórmula 1. A relação entre dirigentes, que era de certa forma conturbada, parece ganhar novos contornos. A presença de Ron Dennis em Abu Dahbi mostra que a categoria, pelo menos aparentemente, vive um clima harmônico com o novo presidente no camando.

O ponto preocupante em ter Todt na presidência da FIA é a grande proximidade e afinidade que ele tem com a Ferrari. Sua passagem por Maranello foi marcante, pois conquistou vários títulos à frente da escuderia italiana. Qualquer decisão que o francês vier a tomar contra sua ex-equipe será repensada. Dificilmente o lado profissional falará mais alto que o emocional numa possível punição.

É claro que a maioria torce para que seu trabalho seja realizado com total transparência e sem favorecimentos. Antes mesmo das eleições ele adotava justamente este discurso, basta sabermos se suas palavras serão mantidas.

Nos resta apenas aguardar, porque os frutos do bom trabalho são colhidos com o tempo. Que a imparcialidade seja a principal palavra no dicionário de Jean Todt.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Um talento vindo da Polônia

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Robert Kubica é um dos pilotos mais promissores da atual Fórmula 1, o desempenho a bordo do ótimo carro da BMW Sauber na temporada do ano passado evidenciou seu talento. A carreira do polaco ainda é curta, começando em 2006 como terceiro piloto da equipe de Mario Theissen.

A estréia de Kubica na categoria aconteceu em agosto de 2006, quando Jacques Villeneuve, com dores de cabeça após o acidente no GP da Alemanha, não estava apto a correr pelo time. Diante disso o polonês foi escolhido para pilotar no GP da Hungria e logo na classificação superou seu companheiro de equipe, Nick Heidfeld, ao marcar o 9º tempo. Na corrida o piloto terminou no 7º lugar, mas infelizmente acabou sendo desqualificado, pois seu carro estava com o peso inferior ao permitido.

Depois do prova húngara, Villeneuve decidiu abandonar a equipe, deixando assim o cockpit vago para o Polonês Voador. Em sua segunda corrida, na Turquia, o polaco sofreu com um erro na escolha dos pneus e terminou apenas na 12ª posição. Nada que desanimasse o jovem piloto.

No Grande Prêmio da Itália de 2006, Robert Kubica brilhou ao conquistar a 3ª colocação logo em sua terceira corrida. Essa foi a primeira vez que um piloto da Polônia subiu ao pódio na Fórmula 1. Os bons resultados renderam sua permanência na condição de titular na temporada seguinte.

O ano de 2007 foi muito bom para Kubica, mas um forte acidente assustou todos aqueles que acompanham a categoria. Na volta 27 do GP do Canadá, próximo ao hairpin, ele saiu da pista após se tocar com Jarno Trulli, foi para a grama, perdeu totalmente contato com o solo e se chocou violentamente no muro. A velocidade do carro no momento do impacto era de 300,13 km. O mais impressionante é que o Polonês Voador sofreu apenas uma torção no tornozelo e depois de passar a noite em observação, deixou o hospital no dia seguinte.

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A temporada de 2008 marcou, por ser a melhor do, até então, piloto da BMW Sauber. O polaco tinha em suas mãos um grande carro e uma regularidade de dar inveja. Com esse ingredientes, Kubica conquistou sua primeira vitória na Fórmula 1. Este triunfo também acabou sendo inédito para a equipe de Mario Theissen.

No início de 2009, Robert Kubica começou a ser apontado como um dos favoritos ao título. Mas o campeonato iniciou e logo ficou claro que dificilmente ele estaria na briga pelo posto de campeão, pois o carro da BMW não se portava como o esperado. O polonês sofreu com o fraco desempenho do time, que por diversas vezes frequentou as últimas posições. Ainda assim o simpático narigudo conquistou resultados expressivos ao longo do ano.

Com o anúncio da saída de sua atual equipe da Fórmula 1, Kubica acertou sua tranferência para a Renault. Mas essa mudança de escuderia pode ser um regresso na suada carreira do piloto. Faz muito tempo que os francesses não conseguem fazer um carro competitivo.

A última notícia divulgada é que a Renault ainda não tem certeza sobre sua participação na categoria em 2010. O presidente da montadora, Carlos Ghosn, disse que a decisão será divulgada apenas no final deste ano. A crise que assolou o mundo ameaça fazer mais uma vítima após derrubar a Toyota.

Portanto, Robert Kubica corre o risco de ficar desempregado antes mesmo de estreiar pela escuderia francesa. O caminho trilhado pelo ótimo piloto polonês tem sido difícil, que ele possa encontrar uma equipe que lhe corresponda à altura de seu talento.

Para ver algumas fotos de momentos marcantes da carreira do Kubica, acesse nossa galeria, clicando aqui.

terça-feira, 7 de julho de 2009

O terrível

Fagioli com um Auto Union, em 1937, durante Coppa Acerbo

Considerado um dos maiores pilotos italianos da época dos Grandes Prêmios, Luigi Fagioli registrou três importantes marcas ao vencer sua última corrida na F1. Aos 53 anos e 22 dias, tornou-se o piloto mais velho a conquistar pontos, pódio e vitória na categoria. Além disso, se a pontuação atual fosse seguida já no primeiro campeonato mundial, Fagioli (com cinco pódios em sete corridas) seria o campeão, mesmo sem vencer.

Porém, Fagioli não se interessava por números. Ao contrário de muitos outros companheiros de profissão, colocava sua dignidade em primeiro lugar. No dia da obtenção desses recordes, no distante GP da França de 1952, foi obrigado a dividir seu carro com Juan Manuel Fangio, após uma ordem de equipe. Seguido a isso, abandonou a Alfa-Romeo e o Campeonato Mundial de Pilotos.

O italiano já havia vivido uma situação semelhante em sua carreira. Na ocasião do Grande Prêmio da Alemanha de 1934, quando corria pela Mercedes, foi obrigado a ceder seu carro para o alemão Manfred Von Brauschitsch. Sem temer possíveis retaliações, preferiu estacionar o carro em um ponto distante do autódromo e abandonar a prova. Uma atitude bastante corajosa, considerando a obsessão de Adolf Hitler por vitórias de seus carros prateados.

No entanto, tal atitude não o impediu de correr por outra escuderia alemã: a Auto Union. Nesse período, travou uma discussão histórica com Rudolf Caracciola, da Mercedes, durante o GP de Trípoli, em 1936. Irritado, após desviar de uma chave de roda arremessada em sua direção, Fagioli partiu para cima do alemão com uma faca. Uma tragédia maior foi evitada pela turma do “deixa disso”, que separou os dois concorrentes.

Durante o “GP de Monte Carlo”, de 1952, disputado com carros esporte, sofreu um grave acidente com um Lancia Aurelia na saída do túnel. Morreu de complicações, três semanas depois do sinistro.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Tragédia e glória


Hoje, no Blog do Gomes, me deparei com essas imagens raríssimas de Bern Rosemeyer, campeão em 1936 do Campeonato Europeu e vencedor de dez Grandes Prêmios. Nelas, detalhes de seu acidente com o Streamlined da Auto-Union, vitórias e uma entrevista. Tudo narrado por um locutor alemão, dando um ar de propaganda nazista ao documento.

Grande ídolo do automobilismo alemão, Rosemeyer morreu precocemente, aos 28 anos, durante tentativa de recorde de velocidade entre Frankfurt e Darmstardt. Durante uma pesquisa na internet, percebe-se que existem inúmeras versões para as causas do acidente. Segundo Robert Eberan-Eberhost, chefe de engenharia da fábrica alemã na época, uma rajada de vento, de 18m/s, fez com que Rosemeyer tocasse a grama lateral da pista, após ter perdido o controle do bólido por uma fração de segundo.

Para Alfred Neubauer, chefão da Mercedes no período pré-F1, um piloto como Rosemeyer não perderia o controle do carro pela ação do vento. Sabendo do perigo, o piloto alemão estava preparado para contrabalançar seu carro com um pequeno movimento no volante. Por isso, Neubauer acreditava que o Streamlined tinha simplesmente se desintegrado durante o percurso. Aliás, depois de perder as folhas de alumínio, seria impossível controlar o carro a mais de 450 Km/h - velocidade estimada de Rosemeyer no momento do sinistro.

Depois do acidente, encontraram Rosemeyer ainda com vida. Estava encostado em uma árvore, com o rosto calmo e sereno. Aventou-se a possibilidade, por um momento, de um milagre. No entanto, o piloto não resistiu aos ferimentos e morreu instantes depois. No mesmo dia, Rudolf Caracciola, da Mercedes, registrou a maior velocidade, com 432 km/h.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Qual é a de Briatore?

Verdadeiro "playboy", Briatore está sempre envolvido com belas mulheres, apartamentos de luxo, baladas, carros super-esportivos, iates em Mônaco e etc. Um digno representante da F1 moderna, que nunca colocou a mão na graxa. Inclusive, em um giro rápido pelo "Google", não é difícil encontrá-lo em fotos na praia, com sua enorme barriga pendurada no calção, acompanhado de sua esposa, a modelo Elisabetta Gregoraci, em praias da Sardenha.

Responsável pelos negócios de Luciano Benetton nos Estados Unidos, Briatore assumiu a direção da equipe de F1 da família no final de 1988. Na oportunidade, disparou contra aqueles que o receberam com desconfiança: "Eu dirijo a equipe de F1 como uma fábrica. Qual a diferença entre a fábrica de F1 e a fábrica de roupas? Nenhuma. Estamos fabricando um produto aqui - um carro rápido. Não vejo qualquer romantismo na F1".

Autoritário, Briatore conduz a Renault com mão de ferro, aterrorizando os seus componentes, seja faxineiro, engenheiro ou piloto. O dirigente cobra o melhor das pessoas. Quando há sinais de rompimento profissional, desce o machado, impiedosamente. Assim, mesmo sem aumentos salariais, os funcionários da empresa estão sempre motivados, comprometidos pela manutenção do próprio emprego.

Exemplos de sua filosofia são numerosos. Quando o projetista Mike Gascoyne revelou a oferta que havia recebido da Toyota, não conseguiu a reação que esperava. Além de não obter aumento como contraproposta, ouviu que a porta da rua era serventia da casa.

Pilotos também têm seus maus momentos. Se o desempenho não é o esperado, Flavio os dispensa sem dó ou piedade, assim como fez com Moreno, Trulli ou Kovalainen. Segundo sua concepção de gestão, problemas devem ser resolvidos logo que identificados. Desistir do motor de ângulo aberto e começar tudo da estaca zero foi uma estratégia de alto risco, mas que valeu a pena. Como resultado, Fernando Alonso tornou-se bicampeão mundial pela equipe.

Este é Flavio Briatore, um homem que pode se tornar, novamente, proprietário de uma escuderia na F1. Rumores dão conta que o italiano, em manobra semelhante a de Ross Brawn com a Honda, poderia assumir a equipe, já contando com o fornecimento de motores do fabricante francês.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A outra face

Repare.

No lado esquerdo da foto, encoberto por Jackie Stewart, está Derek Warwick.

Sim, Derek Warwick. Aquele mesmo do veto.

O britânico representava um grande problema para Ayrton Senna. Não propriamente por sua capacidade técnica, mas, sim, por sua facilidade em fazer amigos.

Numa recente entrevista, Warwick admitiu que esse era o verdadeiro motivo do veto. Afinal, vinha de resultados inexpressivos na Renault.

Para os jornalistas ingleses, Senna revelou uma perspectiva diferente. "A equipe não tem estrutura para manter dois carros competitivos. Tive essa experiência com o Elio (De Angelis) em que, por várias ocasiões, faltou equipamento para os dois. Numa Williams ou numa McLaren pode haver dois pilotos número um, mas na Lotus isso não é possível".

Coube ao chefão da Lotus, Peter Warr, transmitir a notícia para Warwick, como relata Ernesto Rodrigues na biografia “Ayrton, o herói revelado”.

“O dia 22 de dezembro foi um dos piores momentos da vida profissional de Peter Warr. Chamado à sede da Lotus, Warwick entrou no Castelo de Ketteringham pensando que ia assinar o contrato para dividir as Lotus-Renault com Senna. Encontrou um clima de constrangimento e uma explicação curta e grossa:

- Derek, sinto muito, não haverá contrato. Senna não quer você na equipe. Falou com o patrocinador no Brasil e nós não temos outra saída”.

Resignado, Warwick assinou com a Jaguar para disputar o Mundial de Marcas. Àquela altura, não restavam vagas no grid da F1. Retornou, é verdade, poucos meses depois, substituindo Elio de Angelis (falecido em um treino particular), na Brabham.

“Ainda naquele Natal”, continua o jornalista, “Derek Warwick foi surpreendido com um cartão inesperado. O remetente lhe desejava um feliz 1986 e “tudo de bom” na temporada. Era Ayrton. Derek rasgou o cartão com raiva, certo de que ele fora uma indesculpável gafe dos responsáveis pelo trabalho de relações públicas de Senna”.

A partir disso, Derek Warwick passou por uma verdadeira “via-crucis” em sua carreira, se arrastando pelos circuitos com equipamentos medíocres.

A seguir, Rodrigues descreve, com exatidão, o momento em que Senna tenta se reaproximar de seu desafeto: “Nos anos seguintes, Derek receberia de Senna, na pista, uma generosidade que não existia para outros pilotos. Em algumas ocasiões, Ayrton tentou até ajudá-lo a tirar o máximo de seus carros, sempre pouco competitivos".

"Em Monza, num treino de classificação, Senna terminava uma de suas voltas voadoras e, na entrada da curva Parabolica, que antecede à longa reta de chegada, ao ultrapassar Warwick, naquele momento iniciando a sua volta rápida, resolveu continuar acelerando forte a McLaren para puxá-lo com o vácuo".

"Uma camaradagem a 300 quilômetros por hora, sem palavras, acenos ou conversas posteriores no boxe. Alguns décimos de segundo para diminuir um pouco a distância entre o campeão e o piloto bom caráter que tivera o azar de cruzar o seu caminho”.

Por essas e outras, Ayrton Senna ainda é considerado uma figura misteriosa. Poderia ter ignorado a presença de Warwick, um frequentador assíduo do fundo grid. Mas, não queria, de forma alguma, admitir sua própria arrogância.

Afinal, eram apenas adversários. Pessoas como ele, com sentimentos, dificuldades e ansiedades.

Inclusive, em seu livro, Rodrigues lembra de uma bela atitude do campeão, em um momento complicado da vida de Warwick. “Um outro cartão de Ayrton chegou à casa de Warwick em 1989*. E este certamente não era uma gafe de relações públicas".

"Eram pêsames pela morte trágica de Paul, irmão mais novo de Derek, num acidente da Fórmula 3000, no circuito de Oulton Park. Senna foi o único piloto da Fórmula 1 que mandou pêsames. Warwick nunca esqueceria o gesto.”

***

*Na verdade, Paul Warwick faleceu em 1991. Preferi não interferir, deixando o parágrafo na íntegra.