Na semana passada, a notícia mais especulada nos últimos meses, finalmente ganhou status de verdade, através de um comunicado das partes envolvidas: a Mercedes comprou três quartos da Brawn GP e irá se desvincular da McLaren nos próximos anos.
A parcela restante continua nas mãos de Ross Brawn, que permanecerá a frente da equipe. O acordo põe fim a qualquer problema financeiro que o time inglês enfrentaria na próxima temporada, além de garantir os melhores motores no atual cenário da Fórmula 1.
Mercedes e McLaren: sucesso?
Após se retirar do cenário automobilístico na metade da década de 50, a Mercedes só voltou mais de 30 anos depois, em parceria com a Sauber nas corridas de carros protótipos. O sucesso veio rapidamente e o ingresso na Fórmula 1 foi visto com bons olhos pelas duas partes.
A trajetória teve início em 1993 e terminou na temporada seguinte, com resultados bem mais modestos que o esperado.
Na mesma época, a McLaren passava dificuldades. Após a saída da Honda, a fornecedora de motores era trocada temporada após temporada, sem encontrar uma que realmente devolvesse competitividade ao time britânico, dominador na década de oitenta.
Sem grandes receios, a Mercedes assinou com a McLaren e se separou da Sauber. Nasceu uma parceria que completará 20 anos em 2015 (prazo limite para que a McLaren compre os 40% da equipe pertencentes a Mercedes).
O primeiro grande momento da parceria aconteceu nos anos de 1998 e 1999. quando Mika Hakkinen se sagrou campeão, além disso, o primeiro título do finlandês marcou o último de construtores da McLaren. Lá se vão 11 anos.
O segundo ponto máximo aconteceu em 2007, mas foi maculado por um escândalo e um clima quente entre as duas estrelas das pistas, Fernando Alonso e Lewis Hamilton. Os dois travaram uma briga dentro da equipe, e esta, não se posicionou ao lado do espanhol, bicampeão da categoria. O resultado foi a perda de um título de pilotos praticamente ganho.
Além disso, o time esteve envolvido numa denúncia de espionagem. O processo culminou com a confirmação da fraude e o time foi desclassificado do campeonato de construtores.
Em 2008, Lewis Hamilton garantiu o título de pilotos, mas a Ferrari conquistou seu oitavo troféu nos últimos dez possíveis.
Brawn GP no mesmo caminho
Ao assumir o espólio da Honda, Ross Brawn sabia da qualidade do projeto para a temporada de 2009, e para complementar, conseguiu o fornecimento de motores junto a Mercedes. O casamento se mostrou perfeito - a primeira fila e a dobradinha logo na estréia vieram apenas como aperitivo do que ainda conquistariam – a culminar com o título de construtores e de pilotos com Jenson Button.
Ao vencer logo em sua estréia, a Brawn repetiu os feitos da Wolf em 1977 e da Mercedes em 1954.
A Wolf conseguiu três vitórias com o Jody Scheckter, mas tropeçou na confiabilidade do carro, o que lhe custou o título mundial de pilotos. A equipe tentou manter o desenvolvimento nos anos seguintes, mas não conseguiu repetir o mesmo sucesso - na temporada de 1979 nenhum ponto foi marcado.
Três temporadas após o início empolgante, o time entrou em dificuldades e foi adquirido pela Fittipaldi.
A Mercedes teve maior sucesso que a Wolf, mas permaneceu na Fórmula 1 por menos tempo. Foram nove vitórias em 12 provas, oito com o bicampeão pela marca, Juan Manuel Fangio, e uma com Stirling Moss, entre os anos de 1954 e 55.
O domínio acabou por extrapolar a categoria, e as flechas de prata também venceram, por exemplo, a Mille Miglia em 1955 com Stirling Moss e Denis Jenkinson.
A Mercedes fechou o departamento de corridas motivado pelo incrível acidente em Le Mans, que vitimou dezenas de expectadores e o piloto Pierre Levegh. Este, competia através da marca alemã, que logo após a fatalidade recolheu os outros dois carros da equipe, liderados por Stirling Moss e Juan Manuel Fangio.
Depois de 55 anos, a Mercedes volta a ter uma equipe na Fórmula 1.