domingo, 8 de novembro de 2009

Corra Bibendum, corra!

decesaris

De Cesaris, em Zandvoort, em 1981

A Bridgestone anunciou na última segunda-feira que não vai renovar seu contrato de fornecedora de pneus para a Fórmula-1 após o Campeonato de 2010.

Em uma nota dirigida à imprensa, a empresa alegou que tem outros planos relativos à tecnologias inovadoras e produtos estratégicos.

Contudo, vale lembrar que os japoneses vinham registrando prejuízos acentuados após a crise econômica do ano passado, assim como outras empresas compatriotas do setor automobilístico.

Basta lembrar os casos recentes de Honda (F1), Kawasaki (MotoGP), Subaru (WRC), Suzuki (WRC) e, mais recentemente, a Toyota (F1), que desistiram de suas respectivas competições.

Assim, levando-se em conta as 19 conquistas do próximo ano, a empresa encerrará seu ciclo na categoria com 244 Grandes Prêmios, 175 vitórias, 168 poles e 170 voltas mais rápidas.

Curiosamente, a Bridgestone não contabiliza as três participações que fez com independentes nos Grandes Prêmios do Japão de 1976 e 1977 e considera apenas os resultados obtidos a partir de 1997.

Caso "Indianápolis"

Em 2005, a Bridgestone venceu apenas uma corrida, o polêmico Grande Prêmio dos Estados Unidos, do qual todos os carros que usavam compostos da Michelin se retiraram no momento da volta de apresentação.

Naquele ano, a regra proibia a parada nos boxes para troca de pneus e, assim, os compostos deviam durar toda a corrida.

Os compostos gauleses, por sua vez, eram melhores, mas não eram considerados seguros para as novas condições do asfalto do circuito de Indianápolis.

Assim, apenas seis pilotos de três equipes (Ferrari, Jordan e Minardi) disputaram a corrida vencida pelo alemão Michael Schumacher.

Depois do imbróglio, os franceses passaram a ser tratados como criminosos pela FIA, que optou em limitar o fornecimento a um único fabricante.

Como em um jogo de cartas marcadas, a decisão refletia a verdadeira intenção da entidade, já que a Michelin sempre destacou seu interesse em competir com outros fabricantes.

Por essa razão, a fábrica francesa expressou publicamente seu desapontamento com a decisão e anunciou sua retirada para o final da temporada de 2006.

A perseguição continuou no ano seguinte, quando a Michelin, através da marca BFGoodrich, perdeu a concorrência do fornecimento único de pneus para a Pirelli no WRC.

Mas o mundo dá voltas e com a debandada dos japoneses, a FIA foi atrás justamente da Michelin, que manteve sua posição contrária ao monopólio no fornecimento de pneus e recusou o convite para substituir a Bridgestone em 2011.

Nesse caso, a falta de um substituto deve ser imputada às mazelas da administração de Max Mosley, que deixa mais um enorme abacaxi para seu sucessor, o francês Jean Todt, descascar.

Abaixo, confira um apanhado geral das marcas que já participaram da Fórmula-1:

Bridgestone* - 244 Grandes Prêmios (1976-1977 / 1997-2010), 175 vitórias, 168 poles e 170 voltas mais rápidas.

* Já com os números de 2010

Firestone* - 121 Grandes Prêmios (1950-1960 / 1966-1975), 49 vitórias, 60 poles e 53 voltas mais rápidas

* A empresa foi adquirida pela Bridgestone em 1988

Michelin - 215 Grandes Prêmios (1977-1984 / 2001-2006), 102 vitórias, 111 poles e 108 voltas mais rápidas

Goodyear - 495 Grandes Prêmios (1960 / 1965-1998), 368 vitórias, 358 poles e 361 voltas mais rápidas

Pirelli - 203 Grandes Prêmios (1950-1959 / 1981-1986 / 1989-1991), 44 vitórias, 47 poles e 51 voltas mais rápidas

Avon - 22 Grandes Prêmios (1958 / 1981-1982)

Dunlop - 120 Grandes Prêmios (1958-1970 / 1976-1977), 83 vitórias, 76 poles e 79 voltas mais rápidas

Englebert* - 32 Grandes Prêmios (1950 - 1954/1957), 8 vitórias, 11 poles e 12 voltas mais rápidas

* Empresa do grupo belga Uniroyal, que foi absorvida pela Continental, em 1979.

Continental - 15 Grandes Prêmios (1954-1955/1958), 10 vitórias, 8 pole positions e 9 melhores voltas

13 comentários:

Ron Groo disse...

Belo levantamento sobre as marcas de pneus, agora o que gostei mais foi ver o velho De Crasheres colocando o Bibendum para correr.
A impressão que dá é que o grande boneco branco corre de medo e pensando.
Fiadapulaestemaledetopilotoestabanadodocarai.

Felipe Maciel disse...

hhehehe Ron Groo e seus comentário irretocáveis.

Bem que a Michelin poderia dizer: só volto se for para competir.
Tá bom pra categoria voltar a ter fornecedoras concorrentes. Essa baboseira de macio com duro, duro que é médio e macio que é supermacio, médio que é macio, duro que é duro ou médio que seja o que Deus quiser... chega né?

F-1 A.L.C. disse...

não somente por parte dos pneus, mais a tendência é de diminuir a concorrência no campo tecnológico para igualar os carros, e com isso o beneficiado sempre vai ser o garagista.

agora que os pneus estão dando uma de durões, convem lembra que a sua relação com a FIA não é exactamente das melhores, mais também que ao escolher fornecedor unico controlamos uma variante não esportiva.

Rianov Albinov disse...

HEheee

Essa do Crashesaris é sempre muito engraçada!
auhauaha

GP Oficina Mecânica disse...

hahahahhahah ótima foto

E o levantamento tambem... só voce mesmo pra conseguir essas informações, parabéns!

Carlos Eduardo Szépkúthy

Felipão disse...

hahahhahaah

valeu pessoal!!!

Paulo Maeda™ disse...

hahahahah eh msm a foto ficou perfeita... pobre Bibendum e belo levantamento Felipão, nem conhecia essas marcas como Avon e a belga... flw

Daniel Médici disse...

Já conhecia a foto, de um anuário que tenho, mas nunca tinha visto a imagem escaneada. É a mais perfeita tradução da carreira do de Cesaris.

Quanto à Michelin, ela está coberta de razão: foi afastada unilateralmente da F1, sem maiores explicações, aparentemente porque incomodou o domínio Bridgestone-Ferrari. A FIA começa a pagar pelos anos Mosley...

Bruno Santos disse...

Muito legal, Felipão.
A FIA deve ter uma empresa com relacionamento mais estreito. Afinal, precisarão de pneus em 2011.

Anônimo disse...

Felipão,

acho que você não computou os dados da marca alemã Continental, que equipou os Mercedes em 1954 e 1955 e no GP da Argentina de 1958, "calçou" o Cooper-Climax do Strling Moss...

Aí vão os dados:

Continental - 15 Grandes Prêmios(1954-1955/1958), 10 vitórias, 8 pole positions e 9 melhores voltas

um abraço,
Renato

Felipão disse...

Renato

vc está certo...

não sei pq cargas d'água fui esquecer da Continental....

hahahhahahha

abração

Marcelonso disse...

Grande Felipão,

Sempre muito detalhista,uma excelente fonte.

A foto ficou genial!!!

abraço

De Gennaro Motors disse...

na minha opnião a MICHELIN volta!