quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O início de um trágico fim – Parte I

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Ayrton Senna defendeu a McLaren durante 6 anos de sua carreira e conquistou nada menos que 3 títulos mundiais em sua passagem pelo time de Ron Dennis. Depois das conquistas de 1990 e 1991, as temporadas seguintes seriam bem complicadas, pois sua equipe começava a perder espaço para a Williams.

No início do campeonato de 1992 a atual campeã não se mostrava confiante, mas Senna permanecia determinado a conquistar mais um título. No entanto, o novo carro da McLaren não tinha pontecial suficiente para competir igualmente com as Williams FW14B, equipadas com suspensão ativa. O brasileiro venceu em Mônaco, Hungria e Itália, terminando aquele ano apenas no quarto lugar.

Ayrton iniciava o ano de 1993 sem contrato e ameaçava não correr. Os carros da McLaren novamente não eram competitivos, ainda mais depois da Honda anunciar sua saída no final de 1992. Ron Dennis tentava o fornecimento dos motores Renault V10 para empurra o bólidos de sua equipe, mas não obteve sucesso nas negociações. Restou apenas o Ford HB V8 de segunda geração para equipar o time inglês. Para compensar a falta de potência, a única solução era focar em tecnologia.

Em testes realizados em Silverstone, no inverno europeu, o carro se portou muito bem, sendo inclusive o melhor. Dessa forma, Dennis conseguiu convencer Senna a fechar o primeiro contrato de uma série de 11 que foram assinados durante aquele ano. O piloto tinha consciência que o MP4/8 era bom, mas faltava potência para empurrá-lo. Seria praticamente impossível superar a Williams-Renault de Prost.

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Na corrida de abertura da temporada, na África do Sul, o brasileiro terminou na segunda colocação, ficando atrás apenas de Alain Prost. Logo na próxima prova, realizada no Brasil, Senna venceu pela primeira vez naquele ano. Mas o show ainda estava por vir na terceira etapa, o GP da Europa. Largando em quarto e debaixo de muita chuva, ele deu um verdadeiro espetáculo em Donnington Park ao ultrapassar seus adversários numa pista encharcada, assumindo a liderança antes mesmo de terminar a primeira volta.

O início do campeonato para Ayrton foi ótimo, mas as coisas voltaram a sua normalidade e a Williams sobrou com Prost. O piloto da McLaren ainda venceu em Mônaco, quebrando assim o recorde de vitórias nas ruas do Principado. Senna conquistou mais dois triunfos, no Japão e Austrália. Alain Prost acabou se tornando o campeão de 1993 e Ayrton Senna ficou com o vice.

Todos sabiam que o desejo do brasileiro era guiar pela equipe de Frank Williams, pois tinham o melhor carro do grid. Só que uma cláusula contratual estipulada pelo atual campeão vetava a presença de Ayrton na Williams. Sua obsessão em guiar pelo time vencedor era tão grande que ele se ofereceu a ocupar o cockpit por nada.

Prost era pressionado pela Renault e por Frank para esquecer vetos e aceitar Senna na equipe, mas sua dura resposta parece ter dado um ponto final nessa história. “ Não quero mais um ano de merda como aqueles da McLaren. Não precisso disso. Se você quer mesmo o Ayrton, paga meu ano de contrato e eu vou embora.” Alain recebeu cada centavo, deixou as portas abertas para o tricampeão e anunciou que iria se aposentar.

10 comentários:

Bruno Santos disse...

A Honda que sempre incentivou o Ayrton o deixou na mão na McLaren.

Eu até entendo o pensamento do Prost, e como seria complicado ter o Senna novamente como companheiro. Seria um desgaste que o francês não precisava.

Por outro lado, a história se inverteria na Williams: a Renault daria mais força para Alain, do que a Honda, nos tempos de McLaren.

Ansioso pelo próximo capítulo.

Daniel Médici disse...

Em relação à pré-temporada de 1993, no livro do Lemyr Martins sobre o Senna há um depoimento, se não me engano do Gugelmin, em que ele afirma que Ron Dennis lhe deu um carro totalmente fora do regulamento para testar em Silverstone, muito abaixo do peso mínimo. Só para convencê-lo a pilotar a McLaren na temporada. (E parece que Senna morreu sem saber da gambiarra).

Quanto ao "início do fim".. não sei, é bastante relativo. Isso remete àquelas discussões de teoria do caos sobre "será que o voo de uma borboleta pode ser determinante para formar ou inibir um furacão?"; ou estudos criminalísticos de "será que alguém é assassino antes de apertar o gatilho?"

Em que momento Senna começou a morrer? Para alguns, há um momento determinante antes de seu encontro fatal com a Tamburello em que tudo se tornou irreversível. Pode ter acontecido um segundo, uma semana, um mês antes da colisão. Para outros - eu me incluo aqui - o "início do fim" de Senna é idêntico ao de qualquer outro ser humano: no momento em que nascemos, começamos a morrer.

Net Esportes disse...

Eu tenho um retorte de Jornal de 1992 com a manchete "Fórmula 1 pode ficar sem Senna em 1993" .... histórico !!!

De Gennaro Motors disse...

na hora em que SENNA mais precisou....eles deram para tras!

Leandro Montianele disse...

Obrigado pelo complemento, Daniel. Foi uma verdadeira cartada de mestre do Ron Dennis, que de bobo nunca teve nada.

Essa questão de "início do fim" é muito relativo. Cada um vê de um jeito diferente.

Realmente o Prost nãó precisava disso, Bruno. Afinal de contas ele já tinha quatro títulos em seu currículo.

Esse recorte de jornal vale ouro, Net Esportes.

Veleu galera!!

Abraços!

Ron Groo disse...

Eu não sabia desta resposta do Prost para a Renault e para Sir Frank.

À epoca eu não gostava de Alain, mas com o tempo passei a admirá-lo.

E quanto ao Senna, por mais genial que fosse acobou encontrando seu fim naquilo que mais queria.
Uma pena.

Teca disse...

Um fim que deixou saudades...

Bela postagem, Leandro!

Beijos.

Marcelonso disse...

Leandro,

Esse ano de 1993 foi marcante,Senna fez belas corridas ainda que tivesse um equipamento inferior.

Muitas vezes quando revejo a prova em Imola de 94,fico imaginando que tudo poderia ter sido diferente,depois volto a realidade pois não podemos mudar nosso destino.

abraço

Brasil Empreende disse...

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Atenciosamente,
Sebastião Santos.

Marcos Antônio Filho disse...

foi um grande ano pro senna em 93 devido as suas atuações espetaculares. Essa cláusla do contrato do prost era que ele não queria ter companheiro de equipe um campeão mundial e na epoca, acho que só tinha o Senna mesmo e então dava no mesmo. quando Senna assinou com a Williams eu fiquei mto , muito feliz com isso