terça-feira, 8 de setembro de 2009

Efeito borboleta

Liuzzi testando um modelo híbrido da Force-India em 2008

"Uma mola se soltou do Brawn de Rubens Barrichello e..."

Com o acidente de Felipe Massa no Grande Prêmio da Hungria e o péssimo desempenho apresentado pelo reserva Luca Badoer nas duas últimas corridas, a Ferrari foi obrigada a se reforçar na concorrência.

Da posição de credora, ficou fácil para a escuderia italiana negociar com a Force-India o “passe” de Giancarlo Fisichella, que assinou com a "rossa" visando a posição de reserva no próximo ano.

Para o lugar do veterano, o time indiano optou por uma solução “caseira” e promoveu seu piloto de testes, o italiano Vittantonio Liuzzi, para o posto de titular.

Considerado uma das grandes revelações do kart nos últimos tempos, Liuzzi ingressou na Red-Bull Junior Team e dominou a temporada 2004 da F-3000, se sagrando campeão.

No ano seguinte, Liuzzi estreou na Fórmula-1 pela Red-Bull, substituindo Christian Klien em quatro corridas. Pontuou na primeira delas, inclusive, depois que a BAR foi desclassificada do Grande Prêmio de San Marino.

A partir de 2006, o italiano pouco se destacou no cockpit da Toro-Rosso. A situação ainda piorou em 2007, quando dividiu a equipe com um certo Sebastian Vettel.

Acabou como reserva na Force-India no ano seguinte, e, por conta das restrições nos testes, procurou se manter na ativa disputando algumas corridas pela extinta Speedcar Series e no time italiano da A1GP.

8 comentários:

Fábio Andrade disse...

O engraçado mesmo é a relação machadiana que Massa e Liuzzi construíram.

Das poucas coisas que já estudei em literatura uma que sempre está bem viva em minha memória é a teoria do "humanitismo" do personagem Quincas Borba (o filósofo, não o cachorro, rs) do livro homônimo de Machado de Assis. A teoria do tal Quincas baseia-se no lema "ao vencedor, as batatas" e um de seus cernes é a constatação de que para que alguém se dê bem, outro alguém tem de se ferrar.

Então. Na Turquia em 2006, quando Felipe venceu sua primeira corrida, o Liuzzi foi peça fundamental. Foi o ocaso dele que possibilitou a vitória de Massa. Quando Vitantônio rodou e deixou o carro apagar no meio da curva 1 de Istambul Park ele forçou a entrada do SC e a Ferrari chamou imediatamente o Felipe e o Schumacher aos boxes. Como o Felipe era líder, o Schumi teve de esperar todo o trabalho da equipe no carro do Massa e o Alonso faturou a 2ª posição. Foi a salvação de Massa, porque a continuar como estava, a inversão de posições com o Schumacher era questão de tempo.

A rodada do Liuzzi "deu" (muitas aspas) a vitória ao Massa. Liuzzi se deu mal, Massa se deu bem.

Agora, o acidente e o afastamento de Massa promovem esse rodízio de pilotos nos cockpits e a possibilidade de o Liuzzi voltar a ser titular. Inverteu-se a linha de beneficiados-prejudicados, mas o "humanitismo" do filósofo criado por Machado de Assis triunfou.

No mínimo curioso.

F-1 A.L.C. disse...

se tivesse temporada de testes, teríamos a contratação de um novo piloto pela force india...

o involuntário aporte de Liuzzi para a vitória de massa, é o verdadeiro inicio do efeito borboleta..

Willian disse...

Liuzzi não é um mau piloto. Mas não poderá fazer muita coisa estando sem correr há tanto tempo...
É realmente curioso ver toda a confusão que uma "mola" causou...

Felipão disse...

Fabio: comparação mais que providencial! Daria um belo post, inclusive, com a citação de fatos ligados à história, com os mesmos personagens em épocas diferentes.

É incrível como em certos momentos a Fórmula-1 se torna o ambiente adequado para uma comparação com o humanitismo.

Luis: Muito bem observado. Com essa restrição nos testes, a Force-India pode deixar o cargo em aberto e economizar no salário de um terceiro piloto.

William: Tenho a mesma impressão. Acho que vem lambança por aí!!!

Marcelonso disse...

Felipão,


Luzzi andou de kart por aqui em Floripa no Desafio das Estrelas,é um sujeito boa praça que atende a todos.

Como piloto no kart foi bem ,na F1 sempre deixou a desejar,veremos como vai se sair em Monza


abraço

Daniel Médici disse...

Vai ser interessante a gente ver um concorrente à altura para Sutil... na categoria off-road!

Ótima lembrança do Fábio, em relação ao humanitismo. Não lembrava mesmo da importância dele no GP da Turquia de 2006.

Bruno Santos disse...

Realmente o Fábio lembrou bem dessa passagem. Acho que o Liuzzi já teve suas chances, e não deixou saudade. Forte candidato a fechar o grid de largada.

De Gennaro Motors disse...

show de post cara!