quinta-feira, 14 de maio de 2009

Mais do mesmo

A queda de braço entre FIA e Ferrari é antiga. Não é de hoje que as duas brigam em função de mudanças no regulamento. Na década de oitenta, a FIA (Federação Internacional de Automóveis), levada pela falta de competitividade entre as equipes que utilizavam motores de 1,5 litros turbo e 3,0 litros aspirado, queria introduzir uma única especificação, de 3,5 litros, para todos os concorrentes.

No entanto, Enzo Ferrari era contrário à ideia. Queria uma competição com turbocomprimidos de 1,2 litros. E, assim como nos dias de hoje, a Ferrari ameaçou abandonar a F1 para correr em outra categoria. Porém, o presidente da FIA, Jean-Marie Balestre, não se intimidou, revelando que faria o necessário para reduzir os custos e a velocidade na F1.

Os rumores aumentaram quando Bobby Rahal, apontado como o virtual piloto da Ferrari nos Estados Unidos, testou um March, da CART, na pista de Fiorano. Pressionado, Balestre constatou que não se tratava de um blefe e decidiu pela manutenção dos turbocomprimidos. Porém, limitou a quantidade de combustível que podia ser embarcada, sem direito a reabastecimento.

Egocêntrico, Balestre não se deu por vencido. No ano seguinte, voltou a pressionar os grandes fabricantes pela mudança do regulamento. O troco veio no verão de 1987, quando a Ferrari apresentou o 637, monoposto projetado por Gustav Brunner para a Fórmula Indy.

As partes só chegaram a um acordo depois de uma reunião a portas fechadas na casa de campo de Enzo Ferrari. O que foi estabelecido nunca veio a público. Contudo, o chefão mudou sua posição e concordou com a nova fórmula de 3,5 litros. Em troca, pediu a permissão do uso de motores V12, ao contrário do V8 da proposta inicial, e um período de transição, onde os turbopressurizados seriam retirados por etapas, antes que a os novos motores aspirados entrassem em cena, em 1989.

O projeto da Ferrari não foi completamente abandonado pela FIAT. O motor, rebatizado como Alfa-Romeo, teve um desempenho pífio nas corridas americanas. Talvez, a possibilidade de fracasso nos Estados Unidos, maior mercado consumidor da marca no mundo, tenha feito Enzo Ferrari optar por sua continuidade na F1.

Hoje, com a possibilidade de mudança no teto orçamentário, a montadora estuda a possibilidade de não se inscrever para o mundial de 2010. Inclusive, dão mostras que podem escolher novamente os Estados Unidos para competir.

Troféu Colin Chapman e Copa Jim Clark
Durante o impasse envolvendo FIA e Ferrari, foi criado um campeonato paralelo, em 1987, para incentivar as equipes que corriam com motores aspirados. Assim, instituíram o Troféu Colin Chapman, para os construtores, e a Copa Jim Clark, para os pilotos.

Durou apenas um ano. O título ficou com Tyrrell e Jonathan Palmer, respectivamente. Porém, o torneio exemplifica o medo atual de uma subdivisão da categoria.

10 comentários:

Daniel Médici disse...

Ótima lembrança!

A ameaça de cisão na F1 é quase tão antiga, me parece, à consolidação da F1. (Bom lembrar que houve uma época em que a F1 não era assim tão respeitada. O próprio nome só foi oficializado em 81).

Loucos por F-1 disse...

Felipão, é uma pena isso tudo que está acontecendo. O foco principal tem sido deixado de lado, que é o esporte em si. Espero que não seja criada nenhuma outra categoria paralela e que a Fórmula 1 continue firme no cenário mundial.

Abraços!

Leandro Montianele

Marcos Antônio Filho disse...

essa é uma parte bem chata da F1. Veremos onde essa politicagem terminará...

Rianov Albinov disse...

Já ouvi falar em Andrea de Cesaris também como futuro piloto do 637.

Sobre os motores Alfa/Ferrari...
A melhor colocação que eles conseguiram foi uma 5ª posião com Roberto Guerrero em Michigan 1990, a bordo de um March.

Abração

Bruno Santos disse...

Acho que a Ferrari não irá sair e vai se acertar com a FIA. Sobre o troféu para o Palmer eu nem lembrava, como disse no texto, por isso o medo da divisão.
Obrigado pelo elogio, Felipão *.*
Abraços

Ron Groo disse...

Esta historia ta enchendo os piquas já.
Carro na pista que é bom está escasso e cada vez mais as mumias de gravata ganham foco.

E este carro da Indy da Ferrari nem chegou a andar direito. Dizem que era uma bomba.

Rianov Albinov disse...

Acho que nunca andou Groo

Hugo Becker disse...

Sei lá, tenho a sensação de que, pra quem sabe fazer um carro competitivo na F-1, fazer um carro competitivo pra Indy deve ser bem fácil e simples, mas essa é a opinião de quem não entende muito de aerodinâmica. Enfim...

Até os anos 80, haviam algums torneios paralelos com protótipos de F-1. A própria F2 utilizava chassis de F-1, mas essa categoria acabou um pouco antes.

Como disse o Groo, essa história já encheu o saco, e não vai dar em nada. A Ferrari vai continuar, o teto não vai passar... e vamo que vamo.

Anônimo disse...

Couldnt agree more with that, very attractive article

Anônimo disse...

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