quinta-feira, 7 de maio de 2009

O carona

Muitos ainda duvidam da notícia. Em um período de marasmo de pré-temporada, no início desse ano, Peter Windsor e Ken Anderson lançaram a USGPE, uma equipe norte-americana de Fórmula 1.

Jornalista responsável pela entrevista dos pilotos depois das corridas, Windsor trabalhou durante muito tempo como assessor de imprensa para Ferrari e Williams e em inúmeras revistas especializadas em automobilismo.

Com o tempo, deixou de ser apenas uma testemunha dos fatos para viver, "in-loco", momentos importantes da história da categoria. Inclusive, passou a ser criticado por inúmeros companheiros de profissão, apoiados em textos considerados tendenciosos.

Onipresente, Windsor estava no carro quando Frank Williams sofreu o acidente que o deixou tetraplégico. Depois, a pedido do chefão, passou a acompanhar, de camarote, a briga entre Piquet e Mansell pelo título de 1986. Talvez, sua aproximação de dirigentes e pilotos tenha começado de modo despretensioso, quando, em início de carreira, cuidava da coluna de Jody Scheckter.

Escrevia, mas pouco conhecia do sul-africano. Assim, em busca da sinergia necessária, foi de carona entre Mônaco e Maranello na Ferrari 400GT de Scheckter. E deu sorte. Depois de uma viagem tranquila, acompanhou, na Itália, aquilo que chamou de “Ferrari Day”. Conviveu, durante o teste, com figuras históricas da equipe. Entre elas, Enzo Ferrari e Mauro Forghieri.

Na volta, a viagem para Mônaco ganha mais um integrante: Gilles Villeneuve, que havia deixado sua Ferrari 308 GT na fábrica para reparos. Um admirado Windsor, do banco de trás, registra o momento com uma câmera comprada de última hora. Afinal, estava de carona com dois ídolos ferraristas.

Pouco depois, na auto-estrada, ficam sem gasolina. Villeneuve havia insistido para o amigo acelerar, mesmo com o marcador dando sinais da falta de combustível: “Não dá para confiar nesse ponteiro. Com certeza há mais gasolina no tanque”.

Após comprarem o combustível em um estacionamento pelo dobro do preço, a viagem recomeça com mais um susto. Scheckter, por pouco, não acerta um guincho da polícia, estacionado no acostamento da estrada.

Windsor sobreviveu. E o relato foi parar nas páginas da Revista AutoCar, da qual era repórter.

Agora, Windsor quer fazer história.

Por isso, a USGPE.

8 comentários:

Rianov Albinov disse...

Caramba!!!!

Não sabia que o Peter Windsor estava no carro do Frank Williams! E nem sabia que foi ele que tirou essa foto (mas essa eu já tinha :p)

Abração Felipão!

Germano disse...

Como diria o Repórter Esso...testemunha ocular da história

Ron Groo disse...

Bagagem ele tem.
Esta história da carona eu sabia, não sabia que ele quase batera no guincho da policia. hahahah, seria hilário.

Bruno Santos disse...

Tudo aqui pra mim é novidade.
Ótimo texto, Felipão.
Vamos ver como será a história que Windsor escreverá...o Scheckter deve ter quase batido para dar um susto nele...hehehe.
Abraços.

Henry disse...

Como diria o COYOTE,
O Scheckter era um fanfarrão...

1abraço

Felipe Maciel disse...

Muito legal, Felipão...
Dessa carona eu também só fiquei sabendo agora, o cara tem muita história realmente.

F-1 A.L.C. disse...

que historia legal! ja sabia que Windsor era carona no accidente de Frank Williams, e que por estar usando cinto de segurança só teve ferimentos leves

mais não tinha escutado dessa viagem memorável

Hugo Becker disse...

É, como se pode ver, nem tudo gira pura e simplesmente em torno de interesses comerciais...

Ainda há paixão nesse esporte. Pouco, mas há. Ainda tem gente preocupada em fazer história, não só em fazer grana. É por isso que as equipes de garagem não podem desaparecer da Fórmula-1. E por isso que eu sou a favor do limite orçamentário. Não da forma como está sendo feito, gerando uma divisão da categoria, mas sou a favor da essência da coisa.

Bela história... e cada vez que leio uma história dessas, me sinto deslocado na época atual... incrível.