quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A grande história do início da temporada

A trajetória da USF1 irá habitar, por muito tempo, a memória dos entusiastas da Fórmula-1.

usf1-logoUSF1

Muitos duvidaram, com razão, quando Peter Windsor e Ken Anderson anunciaram o lançamento da USF1, uma equipe norte-americana de Fórmula-1.

Homem forte da escuderia, Windsor trabalhou durante muito tempo como assessor de imprensa de equipes, da própria F1 e de inúmeras revistas especializadas em automobilismo.

Influente, o jornalista foi diretor-esportivo da Williams na época do título de Nigel Mansell, em 1992, e estava no carro, em março de 1986, quando Frank Williams sofreu o acidente que o deixou tetraplégico.

Com a confirmação da USF1 entre os participantes da temporada 2010, o jornalista poderia comandar, enfim, seu próprio esquema na Fórmula-1. Deixaria de relatar os fatos para fazer parte, definitivamente, da história.

Naquela época, a equipe revelou que o projeto estava bem encaminhado e que já tinha um protótipo desenvolvido por um antigo aerodinamicista da NASA e da NASCAR.

Com referência à parte técnica da equipe, Ken Anderson, engenheiro que trabalhou na Ligier e na Onix, estipulou que o carro ficaria pronto entre setembro e outubro de 2009. E, assim como as novatas Virgin e Campos, utilizaria o propulsor Cosworth.

Então, com toda a pompa de uma estrutura de um país imperialista, anunciaram que não maculariam a imagem da equipe com "estrangeiros", dando preferência aos pilotos americanos no momento da contratação.

Não exigiriam, inclusive, qualquer compensação financeira. Chegaram a cogitar Danica Patrick, primeira mulher a vencer uma prova na F-Indy, para ocupar um dos cockpits da equipe na temporada de 2010.

Durante os meses que se seguiram, se vangloriaram por terem construído a própria caixa de câmbio, revolucionária, que seria colocada no carro de maneira transversal.

Mentira?

Mas, em entrevista à publicação Autosport, um funcionário da USF1 (que pediu para não ser identificado), afirmou hoje que os donos da equipe, Peter Windsor e Ken Anderson, mentiram.

A equipe não tem as mínimas condições de colocar um carro na pista na abertura do Mundial, em 14 de março, no Bahrein. Para piorar a situação, em janeiro o salário atrasou em cinco dias e o clima dentro da equipe ficou tenso.

"Nosso cheque de janeiro, que deveria ser pago no dia 15, foi pago apenas no dia 20 ou algo assim. Isso certamente causou comoção e as pessoas começaram a fazer perguntas".

"De fato, a empresa tem um problema de fluxo de caixa. Foi quando as questões sobre toda à fábrica vieram à tona e a conclusão foi: sim, nós havíamos mentido sobre o orçamento a longo prazo e, de fato, a empresa tinha um problema de fluxo de caixa."

"No início de dezembro, já era muito evidente que alguma coisa estava acontecendo, ao mesmo tempo em que continuamos à espera de um grande impulso na produção, algo que nunca se concretizou."

"O gerente de produção precisava de mais recursos, mas os diretores protelaram a decisão. O setor de design passou a não entregar os desenhos no ritmo que esperávamos. Então, ficou claro que estávamos enfrentando problemas".

"Dizem que nós todos temos muita experiência em vários aspectos do projeto e na concepção do carro e que todos nós sabemos o que é preciso dentro de uma data-limite".

"Mas quando se tornou evidente, que não estávamos lançando desenhos à medida que imaginávamos, começou a ficar claro que nós poderíamos estar em apuros."

Um cronograma mal feito e a centralização do trabalho nas mãos de Anderson, além da falta de comunicação entre os diferentes setores também contribuíram para o fracasso.

"Ele (Anderson) e Windsor fizeram uma reunião no começo de fevereiro com os funcionários e perguntaram: "Quem aqui acha que nós não vamos para o Bahrein?". Todo mundo levantou a mão e eles ficaram visivelmente chocados".

"Se você não tiver um carro, não pode mostrar um progresso sério nesta direção e potenciais patrocinadores não terão a tendência de te dar dinheiro. No momento, há ainda 60 pessoas trabalhando em Charlotte, mas dez já foram embora", completou.

Procurado pela "Autosport", Ken Anderson (sim, ele ainda não sumiu), chefe da escuderia, desmentiu tais declarações: "A história que este empregado conta é certamente distorcida e unilateral. Há, também, contradições".

"Todos que se inscreveram aqui sabiam exatamente onde estavam se metendo, ou seja, em ter dois carros na pista no Bahrein".

O grupo de investimentos Locstein, no entanto, anunciou hoje que não vai mais patrocinar a equipe.

Um dos primeiros patrocinadores a se juntar à USF1, a empresa, com sede em Genebra (Suíça), divulgou um comunicado explicando o rompimento.

"Como parte de um procedimento padrão, o Locstein avalia uma série de oportunidades de negócio ao redor do mundo, incluindo patrocínios na F1".

"O Locstein se juntou à USF1 para um patrocínio, mas quando ficou claro que a equipe não seria capaz de participar de toda a temporada 2010, a empresa decidiu retirar seu envolvimento com a USF1".

Nesta quarta, Felipe McGough, empresário de José María López, afirmou que são grandes as possibilidades de a USF1 acertar uma fusão com a Campos.

"Os dois grupos farão o impossível para que 'Pechito' esteja na F1. Tanto Hurley (Chad Hurley, investidor do time e criador do Youtube) quanto José Ramón Carabante conversaram durante várias horas para encontrar uma solução para a questão do orçamento das duas equipes", disse.

"Para nós, é muito importante esta união em favor da chance de López correr. Embora tenhamos começado a correr contra o relógio, creio que, após a reunião de hoje e amanhã, o panorama pode se clarear para López".

Seria a junção da fome com a vontade de comer. Os norte-americanos já contam com a caixa de câmbio, um site que sai a todo momento do ar, financiamento argentino, um assessor de imprensa, piloto que veio sei-lá de onde e muito malandragem.

A parte espanhola conta com o “bom e velho” Cosworth, chassi Dallara, Bruno Senna e o eterno chefão de equipes moribundas, Colin Kolles.

Se fizessem um catado, estariam melhores que a Stefan GP, que, apesar de não ter pneus, tem Nakajima, Villeneuve e um fraquíssimo motor Toyota.

Esta é a nova cara da Fórmula-1: improvisada e feita nos coxas.

7 comentários:

Marcos Antônio Filho disse...

uma grand epiada, isso é a USF1... Esses americanos sempre nos fazendo riri, e pior foram os trouxas da FIA que acreditaram neles...

Ron Groo disse...

Não aposto mais um centavo furado nesta equipe.
É natimorta.

Luís Augusto disse...

Vai entrar para a história como o maior blefe da F-1 do século XXI.

Luís Augusto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luiz Paulo Knop disse...

Só não entendo como pode acontecer uma coisa dessas... a FIA tinha 16 ou 17 equipes pré-inscritas e escolheu as que deram garantias financeiras, onde foram parar essas garantias???

http://esporteresenha.blogspot.com

Fábio Andrade disse...

Quando eu li o "mentira" como sub-título, em negrito, me lembrei do Caso-Cingapura.

Lá a Renault, o Nelsinho, o Briatore e uma galera foram espinafradas por iludirem o pensamento de milhões de pessoas que acompanhavam a corrida ao vivo.

E eu pergunto se o que a USF1 fez é muito diferente...

Marcelonso disse...

Esses yankes fizeram o maior fiasco da história,colocaram marra,diziam que tinham muita grana,mas na realidade era tudo falácia.
Agora essa da fusão com a Campos,só se for para trocar boletos pendentes!

abraço