terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Coloni e Subaru

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A estreia, em Monza

O italiano Enzo Coloni, conhecido como "Lobo" nos tempos de piloto, realizou um trabalho de respeito na base do automobilismo. Motivado por esse sucesso, contruiu, em 1987, seu primeiro trabalho para a Fórmula-1, o FC187 -- propulsionado por um Cosworth-DFV.

Nas duas corridas em que a equipe disputou naquela temporada, Nicola Larini falhou na tentativa de classificação para o GP da Itália e abandonou na Espanha, com problemas na suspensão.

No ano seguinte, os italianos voltaram a colecionar uma série de fracassos. Conquistaram o melhor resultado de sua história, porém, no Grande Prêmio do Canadá de 1988, com o oitavo lugar de Gabriele Tarquini.

Para a temporada seguinte, em 1989, novos investidores trouxeram esperança e novos profissionais à equipe. No entanto, a dupla de pilotos Pierre-Henri Raphanel -- depois substituído por Enrico Bertaggia -- e Roberto Moreno se classificaram em apenas quatro corridas durante a temporada.

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Pierri-Henri Raphanel no Grande Prêmio de Mônaco de 1989

Nem mesmo Gary Anderson (que depois trabalhou na Jordan e na Jaguar), chamado às pressas pela equipe, conseguiu mudar o rumo das coisas.

Paralelo a isso, a Motori Moderni, de propriedade do construtor italiano Carlo Chiti, passou a desenvolver um motor Flat de 12 cilindros de 3.5 litros visando vantagens aerodinâmicas com o centro de gravidade mais baixo.

O motor fracassou nos testes realizados pelo Minardi 188B em Misano, em Maio de 1989. Combinado ao sistema eletrônico desenvolvido pela Magnetti-Marelli, o propulsor era 112 kg mais pesado que o Cosworth, o que se constituia numa enorme desvantagem.

A Minardi acabou rejeitando o motor, ao contrário de uma importante montadora japonesa, que comprou a ideia.

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Carlo Chiti e sua criação

A Subaru acabou se unindo com a Coloni em 1990, levando sua estrutura, dinheiro e o motor Flat de 12 cilindros desenvolvido pela Motori Moderni. O tradicional amarelo da equipe foi substituído pelas cores da Fuji Heavy Industries -- proprietária da marca japonesa --, o verde, branco e vermelho.

Como parte da reformulação, Yoshio Takaoka -- presidente da companhia -- assume o lugar que era de Enzo Coloni. Dispensaram os antigos pilotos e contrataram o belga-franco-luxemburguês Bertrand Gachot para pilotar o C3 da temporada anterior -- agora revisado e renomeado como C3B.

Foi um verdadeiro fracasso. O motor era pesado demais para o carro, cujo projeto foi concebido para aproveitar o Cosworth de concepção mais simples. Relegado a um plano secundário, Coloni resolveu impor sua opinião, causando grande mal estar entre os componentes da escuderia.

Primeiramente, pediu para sair. Depois, a Subaru rompeu o contrato, devolvendo o comando da equipe para Coloni. A partir da Alemanha, o time volta a exibir, além de seu amarelo tradicional, a falta de competitividade que lhe era peculiar.

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Gachot e o Coloni nas cores da Fuji Heavy Industries

Nem mesmo o novo pacote aerodinâmico, denominado de C3C, conseguiu colocar a equipe no grid naquele ano.

Para a temporada seguinte, em 1991, Coloni entrega o projeto do novo carro da escuderia para alunos da Universidade de Perugia. Depois de uma temporada desgastante, o português Pedro Chaves abandona a equipe, exigindo receber uma compensação financeira.

Correndo em seu lugar, o japonês Naoki Hattori não conseguiu se classificar no Japão e na Austrália. Assim, cansado de tantos problemas, Enzo Coloni vende a equipe para o milionário Andrea Sassetti, proprietário da Andrea Moda.

Ao todo, foram dois anos em que a equipe esteve longe do grid. A estrutura montada por Coloni acabou voltando para a base do automobilismo, disputando a F-3000 e a GP2.

11 comentários:

Luís Augusto disse...

Hehehe, como se vê, a Subaru não é sinônimo apenas de sucesso no automobilismo. Todasa as marcas tês seus altos e baixos, umas mais, outras menos. Belo post!

Hugo Becker disse...

Mais uma ótima história. É claro que o projeto acabou sendo de uma burrice sem tamanho, mais de 100kg de desvantagem em um motor é algo inconcebível para a F-1. Mas como o Luís Augusto disse aí em cima, sobre a Subaru, gostaria de complementar dizendo que algumas montadoras parecem não ter sido feitas para a F-1, né? Audi, Subaru, Peugeot, entre tantas outras. São poderosas em outras categorias, mas ou não emplacam na F-1, ou sequer se arriscam.

Uma pena.

Abraço!

Ridson de Araújo disse...

Grande história..achei curioso a Gp2 ter uma equipe com o mesmo nome...não casei lé com cré.

Apareçam lá no blog, estamos ressuscitando-o!

http://historiasevelocidade.blogspot.com/2009/12/analises-de-duplas-de-2009-sebastian.html

Ron Groo disse...

Amarelos eram mais bonitos.

E Quanto a lista de montadoras que não foram feitas para a F1 podem acrescentar a VW. Uma gigante inconteste que nem sequer cogita entrar pro circo. Oficialmente.

De Gennaro Motors disse...

que nostalgico ! demais esse motor!

Anônimo disse...

F1 Rejects Total!!!
Que pena não ter dado certo... Uma equipe que "penou" nas categorias de base merecia um resultado melhor... Ao menos dar uma crescida, aparecer mais e, quem sabe, marcar um pontinho...

Felipão, você vai continuar a história, do "espólio" da Coloni na F1: a Andrea Moda???

Única equipe a ser expulsa da F1!
É isso mesmo?

abraço,
Renato

Felipão disse...

Renato...

hahahahaha

é isso mesmo...

A Andrea Moda talvez tenha sido o maior reject da história. Daria um ótimo post. Sugestão anotada!

António Pista disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Helio Herbert disse...

Gostaria de ter um motor desse decorando a sala de casa.

Mauricio Morais disse...

Felipão você deu uma aula. Parabéns, desconhecia estas histórias de bastidores.

Anônimo disse...

Feliz Natal a todos, com muitas histórias como esta em 2010.
Obrigado Maurício pela arte.
Já está lá em http://puntata-taco.blogspot.com/