sábado, 13 de junho de 2009

De A a Z: Revson

Peter disputou sua primeira corrida em 1961, com um Cooper Junior, numa pista sinuosa e esburacada do Havaí. Sobre isso, sua mãe fez um único e seco comentário, quando perguntada a respeito da atuação do filho:

"É um maluco idiota".

A partir daquele momento, a família fez o que pôde para afastá-lo das pistas. Para piorar, Doug, seu irmão mais novo, morreu durante uma prova de F3 na Dinamarca. Discreto, Peter resolveu trocar uma letra de seu sobrenome, para não chamar a atenção:

"Pronto. Agora meus pais já não tem do que reclamar. Não há um Revlon correndo. Há um Revson", disse na época.

Pode-se afirmar que a fortuna oriunda da indústria de cosméticos não ajudou Revson em sua carreira. Para trilhar o caminho da F1, o piloto foi obrigado a começar por baixo, competindo em categorias de menor importância.

Subiu aos poucos, conquistando resultados importantes com carros inferiores. Teve de suar, durante vários anos, até obter sua melhor oportunidade: um cockpit na McLaren, que o elevou a um lugar entre os maiores do mundo.

Quando Emerson Fittipaldi chegou, em 1973, para ocupar o posto de primeiro piloto, Revson entendeu que seu ciclo na McLaren havia terminado. Buscou a Shadow, uma equipe formada por compatriotas.

Mostrando muita preocupação com a segurança do carro, Revson passou a acompanhar atentamente a preparação de seu UOP-Shadow para treinos na África do Sul. Essa inquietação e tensão transpareciam em seu rosto quando entrou no carro, na tarde do dia 20 de março, para dar algumas voltas no circuito de Kyalami.

Após sorrir sem animação, comentou a um conhecido:

"Acho que vou passar o fim de semana em uma reserva de caça".

Infelizmente, nunca mais voltou.

Sua vida terminou no guard rail da curva Barbecue.

10 comentários:

F-1 A.L.C. disse...

muita paixão.. revson sempre é lembrado como um exemplo de paixão pelo cheiro de gasolina

Speeder_76 disse...

Tenho também uma imagem dele com o Emerson Fittipaldi, nesse mesmo teste em Kyalami. Estavam encostados ao muro em amena cavaqueira, com o Emerson a sorrir. Certamente, antes da sua volta fatal...

O Bruno Santos, do F1 Database, tem uma foto dos socorros (poucos) e de Dennis Hulme e Graham Hill a apagarem o fogo daquilo que restou do Shadow. Não se vê nada disso hoje em dia, confesso...

Tohmé disse...

Foi uma morte muito prematura. O Revson poderia realmente ser um campeão. Grande perda.

Teca disse...

Ele até tentou...

Pena mesmo!

Beijos.

Bruno Santos disse...

Revson realmente é um nome sempre a ser lembrando e uma pena que tenha morrido antes de desenvolver todo seu talento - foi cedo.

Poxa, o Speeder tem uma memória ótima...rsrs. Completando a informação, aí vai o link para quem quiser dar uma olhada na fotografia com Graham a revirar os destroços:
http://f1database.blogspot.com/2009/03/piloto-em-questao-peter-revson.html

Abraço.

Frederico Cavalcante disse...

Terrível destino uniu Shadow e Kyalami: primeiro Revson, depois Pryce...

Marcos Antônio Filho disse...

Revson foi grande amante do automobilismo e não usou do seu dinheiro pra ascender na F1. Atualmente é o que mais fazem, usar a grana pra comprar uma vaga

Francisco J.Pellegrino disse...

É uma outra fórmula 1, nada a ver com os ultimos 10 anos..

Hugo Becker disse...

Pô cara, que bonita e triste história... isso que dá um certo ar de heroísmo à F-1 antiga, que não tem nada a ver com a atual... pq honestamente, nossos filhos não verão heróis na atual geração de pilotos - e quando digo heróis, me refiro a homens destemidos que desafiavam a morte de forma consciente, como disse outro dia o Médici no Cadernos do Automobilismo.

Ótimo post.

Abraço

Paulo Maeda™ disse...

bonita e triste história, realmente não se vê mais essa paixão como nesses tempos, e pelo visto Revson fui deles né? não conhecia a história dele, otimo texto Felipão.