quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A Fórmula dos Sobrinhos

Na semana passada, uma boa notícias para todos os fãs do clã Senna foi confirmada: Bruno Senna, sobrinho do tricampeão Ayrton, foi anunciado como piloto da Campos Meta para a temporada de 2010.

1000xBruno guiando a McLaren do primeiro título mundial de Ayrton Senna

Repetindo a trajetória de muitos pilotos brasileiros, Senna começará numa equipe pequena e precisará demonstrar talento para vôos maiores na Fórmula 1. Afinal, mesmo com um sobrenome de enorme respeito, pilotos só sobrevivem com bons resultados ou muito dinheiro.

Essa, porém, não será a primeira vez que teremos um brasileiro, sobrinho de um campeão mundial, correndo na F-1. No início da década de 90, o clã Fittipaldi voltou a ter um representante na categoria.

Christian Fittipaldi e a Paciência

A carreira de Christian começou muito cedo. Não poderia ser diferente - seu avô era apaixonado por automobilismo, assim como seu pai, Wilson Fittipaldi Jr. As primeiras aceleradas foram dadas no kart, aos 10 anos. Sete anos depois, em 1988, Christian migrou para a Fórmula Ford 2000. Ao completar 18 anos, o destino foi a Fórmula 3 brasileira, onde se tornou campeão em 89; no ano seguinte venceu a versão sulamericana, desbancando Rubens Barrichello.

Emerson e Wilsinho sabiam que a Europa era o melhor destino para o jovem Fittipaldi. Ainda em 1990, terminou em quarto no campeonato britânico de Fórmula 3 para depois se sagrar campeão da Fórmula 3000, ao final de 1991.

Era o último degrau para chegar à Fórmula 1. Christian tinha ao seu favor, um currículo vencedor e um nome de respeito, mesmo assim, conseguiu apenas uma vaga na equipe Minardi. O ano de 1992 foi penoso, com apenas um pontinho marcado.

Com o contrato renovado para 93, Christian conseguiu resultados bem melhores, além de terminar um maior número de provas. Era um claro sinal da evolução do piloto.

#23 Christian Fittipaldi, Minardi Team, Minardi M193 Quarto lugar na primeira prova da temporada de 1993, na África do Sul

Mas faltando duas corridas para o final da temporada, Fittipaldi foi demitido da Minardi. Ele conta o caso:

É muito simples: tinha um piloto italiano (Pierluigi Martini), e todos seus patrocinadores eram da Itália. Aí apareceu outro com US$ 500 mil para fazer duas corridas (Jean-Marc Gounon). Eu não tinha dinheiro, é óbvio que a Minardi não tinha dinheiro, e ela resolveu enfiar um piloto mais lucrativo, me deixando meio que a ver navios. Pensamos seriamente em fazer alguma coisa contra a equipe. Tinha todo o direito do mundo, mas, por opção do meu pai e minha, decidimos deixar quieto. “Você tem uma carreira inteira pela frente, não vamos brigar por causa de duas corridas. O máximo que iria acontecer era você ganhar a nível financeiro o valor que ele estava te pagando, talvez um pouquinho mais por ter criado danos morais na sua carreira”. E a nossa opção na época foi ter deixado quieto. Cobrimos tudo com panos mornos e seguimos em frente, não tinha muito o que discutir.

Após perder sua vaga, Fittipaldi encontrou nova casa na equipe Footwork, onde fez sua melhor temporada, conseguindo terminar em duas provas na quarta colocação. Após três anos de Fórmula 1, o piloto já estava desgastado e tinha uma tentadora proposta para correr nos Estados Unidos, onde seu tio, Emerson Fittipaldi, estava fazendo história. Christian aceitou o convite, e hoje, se arrepende pela falta de paciência na Europa.

Bruno Senna e a ‘Carreira Solo’

Enquanto Christian teve o apoio incondicional de Wilson e Emerson Fittipaldi, Bruno não teve a figura física de Ayrton como norteador para seus passos. O garoto sempre foi apaixonado por automobilismo, mas a morte de seu tio em 1994, provocou um intervalo de 10 anos em sua carreira – retomada apenas quando já tinha 21 anos. Era necessário recuperar o tempo perdido e acelerar o processo de aprendizagem.

Sem a figura do tio para ajudá-lo, Bruno foi auxiliado por um grande amigo de Ayrton e da família: Gerhard Berger. Senna então, iniciou a carreira já na Grã-Bretanha, disputando a Fórmula BMW e, nos dois anos seguintes, correu na Fórmula 3 britânica.

Seguindo o sonho de chegar até a Fórmula 1, Bruno, apoiado pela Red Bull, foi para a GP2 – categoria considerada como o último degrau para a F-1. Foram dois anos, três vitórias e um vice campeonato em 2008. Neste mesmo ano, ficou em quinto na versão asiática da categoria.

Com muita especulação e grandes acontecimentos, Senna não conseguiu vaga na categoria máxima para 2009: a Honda, primeira interessada, fechou as portas; Gerhard Berger, sócio da STR, também vendeu sua parte e caiu fora. Sem lugar, Bruno teve um ano pouco produtivo, participando de algumas provas da Le Mans Series.

Apesar da carreira sem grandes conquistas, Bruno Senna terá espaço para crescer na Fórmula 1, principalmente se a Campos Meta conseguir um bom carro, logo em sua temporada de estréia. Vale lembrar ainda, que os carros mudarão para a próxima temporada; teremos quatro novas equipes e a dança das cadeiras entre os pilotos, é a maior dos últimos anos. Com todas essas variáveis, as cartas devem se embaralhar de novo.

Todos querem ver o que o nome Senna ainda pode fazer na Fórmula 1. A expectativa é grande, mas, a história mostra que, apenas um nome forte não garante lugar – ajuda ou atrapalha, dependendo da qualidade do piloto.

Sobrinho Campeão

Jacques Villeneuve, o aniversariante do dia, tentou correr na Fórmula 1 em três oportunidade – duas em 1981 e uma em 83 – todas sem se qualificar para a corrida. Não conseguiu chegar perto dos feitos de seu irmão mais velho, Gilles Villeneuve, tampouco dos feitos de seu sobrinho homônimo, que se tornou campeão mundial em 1997, na Williams.

gprix1974_gallery__505x400 Gilles Villeneuve perto de seu filho, e futuro campeão, Jacques

13 comentários:

Felipão disse...

as fotos são um caso a parte...

e que texto... belo levantamento

Aliás, lembro bem dessa passagem do fittipaldi na F3000, com aquela marca de tênis M2000 patrocinando...

Marcelonso disse...

Brunão,

Teu xará vai ter uma pressão muito grande pelo sobrenome que carrega,o que é natural.Pelo que já vi até agora,ele parece saber lidar muito bem com essa pressão,demonstra equilibrio.

Se vai ser rápido é uma outra história.
Penso que está começando no rumo correto.

abraço

Loucos por F-1 disse...

No caso de Christian Fittipaldi a grana falou mais alto. Mesmo assim acredito que o brasileiro não iria brilhar na Fórmula 1. Ele não tinha a vontade de um campeão.

A dúvida ainda é muito grande em relação a real capacidade de Bruno Senna. Ele ficou parada por muito tempo, isso deve ser relevado. A pressão em ter o nome Senna também será grande. De qualquer forma torço pelo sucesso dele.

Abraço!

Leandro Montianele

Tamíres disse...

Apesar dos pesares, lindona a foto (risos).

[não iria desperdiçar a piada interna]

Bom, sendo a primeira vez que apareço por aqui, não deixo de expressar o certo aperto que dá em ver o F1 DataBase sem as atualizações de sempre. Valeram os mais de seis meses lendo texto a texto, vendo um espaço que crescia de pouco em pouco e, sobretudo, acompanhando o seu empenho constante. Por outro lado, impossível não ficar feliz diante da sua empolgação de agora. Sorte. ;)

E tem mais algum mineiro além da gente por aqui?

Beijo.

Hugo Becker disse...

Bela matéria, Brunão. E levei um susto quando li "Jacques Villeneuve" e "1981" no mesmo parágrafo. É que este Jacques aí ficou mais conhecido como "Sir Jacques", mesmo naquela época.

Eu acho, sim, que o Bruno Senna pode fazer bonito na F-1. Eu diria assim: posso esperar da comparação Ayrton-Bruno o mesmo que é a comparação Graham-Damon. Deu pra entender? Hahaha...

Abraço!

Bruno Santos disse...

Valeu, Felipão, Marcelonso e Leandro.

Pois é, Tamíres, fico feliz que continua me seguindo e pela compreensão também. Sobre os mineiros, ainda não consegui identificar nenhum pelo sotaque nos comentários...hahaha. Bjo.

Hugo, eu e o Felipão estamos nos especializando em dar susto nos amigos, haha.

Willian disse...

Será, com certeza, um grande desafio para Bruno Senna.

Outros pilotos começaram em equipes pequenas (Alonso, Schumacher, Barrichello) e se deram bem...

Se ele tiver talento, terá uma boa oportunidade logo. O chato mesmo será ver o Galvão "babando" por ele.

F-1 A.L.C. disse...

velho, aquela foto de gille com o pequeno jaques do lado bem interesado e deu arrepios. muito simbólica do que é o artigo.

vai ser interesante alcular o que a Gap de 10 anos na carrera de Senna fez com o seu estilo condutivo. ele passou um tempo de juventude sem correr, tempo no qual aprendemos a ser emocionais.

Daniel Médici disse...

Bem legal o levantamento, Bruno. No caso do Bruno Senna Lalli, além da ausência do tio, ele também teve quer lidar com outra: a do pai (ele usou o sobrenome paterno para se manter mais ou menos anônimo, quando tinha orkut), que morreu num acidente de moto em 95.

Tohmé disse...

A foto do Gilles é linda.
Mais uma que vou enquadrar.

Bruno Santos disse...

Obrigado, Wllian, Iriarte, Daniel e Tohmé.

Além da ansiedade pelo desempenho do Bruno dentro das pistas, também tenho sobre seu comportamento fora delas - com a pressão por resultados - e como todos esses acontecimentos e perdas na família refletirão sobre seu estilo de pilotagens e controle emocional.

P.S.: Tohmé, na saída do blog passe no caixa para acertamos o preço da foto...hahahahaha.

GP Oficina Mecânica disse...

ótimo post...
Realmente fotos muito boas, o capacete do Bruno Senna é bonito demais heim...

Bom só podemos desejar sorte aos brasileiros para o ano que vem, que de verdade, vão precisar, não está muito confortavel a situação de nenhum deles...

Carlos Eduardo Szépkúthy

Tohmé disse...

Brincadeirinha....he, he