quarta-feira, 27 de agosto de 2008

FITTIPALDI, Wilson

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F1DataBase - Wilson Fittipaldi, Fittipaldi - Mônaco 1975

Nome Completo: Wilson Fittipaldi Jr
Apelido: Wilson Fittipaldi
Data de Nascimento: 25/12/1943 - Sao Paulo, Brasil
Temporadas: 1972, 1973 e 1975
Equipes: Brabham, Copersucar-Fittipaldi
Construtores: Brabham, Copersucar
Motores: Ford-Cosworth
Equipe Atual: -
GPs disputados: 35
Não participações: 3
Títulos: -
Vitórias: -
Pódios: -
Pontos: 3
Pole positions: -
Voltas mais rápidas: -
Voltas na liderança: -
Primeiro GP: Espanha, 1972
Último GP: Estados Unidos, 1975
Abandonos: 21
Prêmios:
Títulos e Vitórias Importantes:
Curiosidades:

Textos:

Piloto em Questão: Wilson Fittipaldi

Por Bruno Santos

Com o resultado da enquete passada definido, onde o capacete de Christian Fittipaldi foi eleito o mais bonito, aproveito para mostrar de onde surgiu o desenho, uma bela homenagem ao seu pai, Wilson. Desse modo, o escolhi para ser o protagonista deste texto.

Nome: Wilson Fittipaldi Júnior

DN: 25 de dezembro de 1943

Cidade Natal: São Paulo, Brasil

GPs disputados: 38

Wilson nasceu em uma família consumida pela paixão pelo automobilismo, especialmente por seu pai, o Barão, um jornalista e entusiasta do esporte no Brasil. A paixão também chegaria até o seu irmão três anos mais novo, Emerson Fittipaldi.

A carreira de Wilsinho começou no kart aos treze anos e além de ser muito rápido, desenvolveu também paixão por mecânica, sempre a modificar seu equipamento, o que originaria depois uma empresa, a Mini. Onde Emerson já faria relativo sucesso.

Enquanto Wilson dava passos maiores e se tornava piloto oficial da Willys, disputando corridas contra ícones do automobilismo nacional como Carlos Pace, Bird Clemente e Luiz Pereira Bueno, Emerson era sempre alavancado pelo grande sucesso do irmão. Essa é considerada a melhor geração de pilotos nacionais e depois os irmãos Fittipaldi desenvolveriam muitos protótipos, como o Fitti-Porsche.

Enquanto fazia provas de Fórmula 3, pintou um convite para ir fazer a categoria européia. Um passo totalmente desconhecido para pilotos brasileiros naquela altura, com apenas poucos a fazê-lo na década de 50. Essa aventura em 1966 foi curta e a equipe nitidamente o sabotou, anos depois Wilsinho afirmou que foi por causa da Willys, que queria seu retorno ao Brasil. Mas a viagem lhe traria um novo conceito.

Ao voltar ao Brasil, os irmãos Fittipadi se juntam para criar um novo conceito de carro para participar da Fórmula Vê, uma categoria idealizada pela revista Auto Esporte, criando carros bem mais parecidos com o de Fórmula 3 existentes na Europa, o que proporcionaria uma boa experiência aos pilotos. Foi criado o Fitti-Vê, um tremendo sucesso comprovado pelas vitórias de Emerson em 1967.

Foram construídos mais de 40 carros em poucos anos e a Europa voltou a ser um sonho para os dois irmãos. Mas agora Wilsinho estava casado e uma mudança dessas saíria mais caro, o jeito foi abrir mão do sonho e deixar Emerson ir sozinho. Aqui o destino definiu o caminho dos dois.

Emerson chegou assombrando a Fórmula 3 européia e foi campeão com facilidade em 1969, o que chamou a atenção de todos e lhe garantiu um convite para correr na Fórmula 2 pela Lotus. O sucesso de Emerson agora seria a impulsão para a ida de Wilson em 1970.

O brasileiro começou na Fórmula 3 britânica, competindo contra Niki Lauda, James Hunt e mesmo assim fez boas atuações, conseguindo um lugar na Fórmula 2 em 1971. No ano seguinte já pagaria por um lugar na Brabham, ele não, mas a Bardahl, freios Vargas e o Café Cacique. A situação na equipe era precária, Carlos Reutemman, seu companheiro, tinha status de primeiro piloto e recebia equipamentos melhores.

Enquanto Emerson ganhava seu primeiro título mundial, Wilson passava a temporada em branco, conseguindo como melhor dois sétimos lugares na Espanha e na Alemanha. Para 1973, o contrato foi renovado e os pontos finalmente foram marcados, com um sexto na Argentina e um quinto na Alemanha.

A situação não estava melhorando na equipe e o desgaste me Wilson já era grande. Terminava o ano de 1973 decidido. Ao invés de dar dinheiro para correr em situações precárias, usaria o dinheiro na construção do próprio carro e se dedicou exclusivamente ao projeto no ano de 1974. A Brabham estava se tornando mais competitiva, e Carlos Pace ficou com o lugar do brasileiro no time.

Emerson garantia o seu segundo título em 1974, enquanto o carro ficava pronto. Um projeto ambicioso e puramente nacionalista, por isso enfrentou grandes dificuldades na execução. Depois encontraram o patrocínio da Copersucar e em 1975 o carro estava pronto para tentar se classificar e conseguir. Wilson ficou a cargo de pilotá-lo e ganhar experiência com o projeto. Se no ínicio do ano, andava a seis segundos da pole, ao final a diferença era de apenas dois, em ritmo de corrida. O projeto marcou um décimo lugar nos Estados Unidos.

Para o ano seguinte, Wilsinho encerra sua carreira na Fórmula 1 e passa a gerir o time, enquanto Emerson se torna o piloto oficial. O projeto terminaria seis anos depois e Wilson ainda apareceria em outras categorias brasileiras, como a Stock Car ou em apresentações esporádicas em outros eventos.

Em seu período na Fórmula 1, Wilson sempre foi muito injustiçado, pois as comparações com Emerson eram inevitáveis. Numa entrevista ele desejou até não ter o sobrenome Fittipaldi. Pode não ter conseguido os títulos do irmão, mas teve participação fundamental em sua carreira e deu ótimas contribuições ao automobilismo brasileiro.

Um comentário:

Anônimo disse...

Wilson Fittipaldi Jr. é um exemplo de amor à profissão e à Pátria. Sempre foi determinado e corajoso e nunca deixou de lado suas convicções mesmo debaixo do fogo serrado da débil imprensa esportiva e não esportiva dos anos 70.
Na minha vida pessoal Wilsinho é uma referência, sempre que tenho que tomar uma decisão ou enfrentar uma disputa na qual não tenho grandes chances de exito me lembro dele e isso me enche de coragem e inspiração.
Tive o grande prazer de estar com ele no Racing Festival 2010 e vivi um momento de tietagem aos 40 anos de idade. Tive a oportunidade de falar pra ele que lá mesmo em Interlagos eu o ví correndo de Super Kart em 1982. Foi uma grande honra poder cumprimentá-lo mais uma vez.
Longa vida a Wilson Fittipaldi Jr, um dos maiores brasileiros da história da nação.

Marcelo Sampaio